Ecologia Urbana

Blog da disciplina de ecologia urbana, do 5º ano da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, docência do Professor Doutor Jacinto Rodrigues

25.1.07

Informação do Eng. Tiago Mateus

Tenho bastante material do Engenheiro Tiago Mateus, da Vulcano, que me foi fornecido pelo professor Jacinto Rodrigues. Dada a especificidade da informação, que consiste em desenhos detalhados de pisos e paredes radiantes, e pdf's com informações técnicas sobre bombas de calor de baixo consumo energético, kits solares para água quente sanitária, etc, não vou publicar no blog. Em vez disso, gravei um cd que passarei a levar para a aula de ecologia para quem quiser consultar e copiar. Deixo duas imagens a título de exemplo.

24.1.07

Notícias


Engenheiro Tiago Mateus;
O Engenheiro Tiago Mateus, que trabalha na Vulcano e brevemente estará entre nós na cadeira de ecologia urbana, para uma breve introdução às questões da energia solar, enviou documentação que está disponível na turma.

Centro Tibá - Arquitecto Johan van Lengen
O arquitecto Johan van Lengen, organizador do Centro Tibá no Brasil, virá a Portugal provavelmente em Maio de 2007 à cadeira de Ecologia Urbana.
Neste momento os alunos da cadeira de ecologia urbana, Meco e Paulo, estão a montar um filme que mostra a visita do Professor Jacinto Rodrigues ao Tibá e contém entrevistas ao conhecido arquitecto Johan van Lengen, autor do livro "O arquitecto descalço", traduzido em várias línguas, assim como imagens do Centro Tibá e da metodologia que aí se desenvolve.
Inserimos aqui o programa dum curso que vai decorrer no Tibé sobre "Alfatectura".


TIBÁ www.tibarose.com

CURSO DE ALFATETURA: 25 a 28 de janeiro de 2007
Arquitetura Intuitiva
Para aumentar o nosso potencial criativo é necessário sabermos qual dos dois hemisférios cerebrais está trabalhando - o esquerdo é guiado por estímulos de fora, enquanto o direito recebe estímulos do nosso mundo interno.Nos processos de planejamento em Arquitetura e Urbanismo, às vezes é necessário sermos lúcidos e analíticos, assim como em outros momentos torna-se imperativo que nossa imaginação aflore. Em outras palavras, passamos do hemisfério esquerdo para o hemisfério direito de nosso cérebro.

O curso de ALFATETURA no TIBÁ mostra como podemos estar conscientes das ondas beta por meio de vários exercícios de lógica, seguidos por oficinas de trabalho onde aprendemos a acessar a nossa criatividade natural através das ondas alfa e como aplica-la tanto em nossa profissão como em outras atividades criativas. Para se ter uma idéia do curso, listamos os seguintes conteúdos:

AULAS DE LÓGICA:
*Introdução ao método Beta
*Dados do terreno em forma modular
*Dados das atividades e seus espaços
*Matrizes de afinidades
*Análise urbanística
*Análise arquitetônica
*Insumos não traduzíveis
*Preparação de mapas analíticos
*Traduções dos insumos principais
*Desenho de um projeto
*Análise visual: “diagramas de forma”
*Verificação e retro-alimentação

AULAS DE INTUIÇÃO:
*O uso da respiração na meditação
*Mudar o ritmo das ondas cerebrais
*Eco-imaginação na criatividade
*Exercícios em grupo
*Zonas desconhecidas do cérebro
*Entrar na visão periférica

No último dia do curso, os participantes vão aplicar estas duas maneiras de perceber a realidade nos projetos arquitetônicos.

INSTRUTOR
JOHAN VAN LENGEN, arquiteto, autor do Livro "Manual do Arquiteto Descalço".

LOCAL
TIBÁ em Bom Jardim - RJ.

VAGAS LIMITADAS

CUSTO
Curso ALFATETURA por pessoa: R$500,00 que pode ser parcelado em: R$250,00 de entrada para reservar sua vaga, e um cheque pré-datado para 30 dias de R$250,00 a ser entregue no início do curso.
(incluindo hospedagem, alimentação e material).

FICHA DE INSCRIÇÃO
www.tibarose.com/port/cursos.php

FORMA DE PAGAMENTO
Depósito em nome de Johan Moes. Banco Itaú, AG 0532 - CC 18227-6. R$500,00 ou R$250,00 de entrada para reservar sua vaga, e um cheque pré-datado para 30 dias de R$250,00 a ser entregue no início do curso.
CONFIRMAÇÃO DE INSCRIÇÃO
Enviar o comprovante do depósito ou a informação contida no mesmo incluindo seu nome completo para o e-mail cursos@tibarose.comSem o comprovante de depósito ou a informação contida no mesmo sua vaga não será confirmada.
TIBÁ - Tecnologia Intuitiva e Bio-ArquiteturaR. Inglês de Souza 296Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJCEP-22 460-110 - BrasilTel: (55) (21) 2274-1762www.tibarose.com

Sara Bessa Monteiro - Livro "Viagem ao Centro de Mim"
Uma ex-aluna da cadeira de ecologia urbana, Sara Bessa Monteiro, acaba de publicar um livro com poesias e desenhos em que revela uma grande sensibilidade às questões ecológicas. Na apresentação deste livro, Jacinto Rodrigues escreveu:
"Ao longo dos anos na minha actividade de professor na universidade fui-me apercebendo que o papel essencial da educação não é transmitir informações mas sim desenvolver um processo de investigação-acção em que o desenvolvimento pessoal se constrói na interacção consciente, numa dinâmica de grupo.
Em tal processo pedagógico activo o aluno aprende e ensina. Assim, são as atitudes que se forjam e não apenas opiniões e comportamentos que se manipulam ou adestram.
Nas nossas aulas de ecologia urbana na FAUP ensaiamos meditações dinâmicas na descoberta de arquétipos das formas, trabalhando a argila e fazendo desenhos. Ensaiámos também a consciência do corpo na relação entre movimento e música, buscando nos exercícios de euritmia ou nos “trabalhos” de Gurdjieff o centro de gravidade, a simetria e assimetria, o caos e a ordem, etc.
O estudo do eneagrama permite o conhecer-se a si mesmo conhecendo os outros. Assim, das referências sobre as “personas” busca-se um “eu” activo, capaz de lidar conscientemente com o movimento dinâmico tripolar entre pensamento, acção e emoção. Revela-se a tensão sistémica e dialógica desta tríade com as outras sensibilidades afins que referenciam personagens diversas.
Desconstrução e construção, universalidade e singularidade e demais temas foram objecto das aulas de ecologia que para além de ecologia urbana eram também de ecologia espiritual.
Afinal o homem e a biosfera constituem uma interacção permanente entre Logos e Topos, estabelecendo ecosistemas que se metamorfoseiam.
Todas as experiências vividas no estudo desta problemática, permitem dar sentido e pilotar a vida. Trata-se de buscar uma via de libertação pela autonomia da nossa consciência.
Foi neste contexto que tive como aluna a Sara.
Não era necessário dizer e muito menos repetir… A Sara “sabia” porque dentro dela já havia o “fazer o vazio” de quem há muito procurava sair da mecanicidade repetitiva dum quotidiano que nos amarra ou do qual permitimos condicionamento.
A viagem da Sara estava já em marcha. A vontade “pessoana” de ter vários heterónimos que nos descreve no seu livro, em ser “guardadora de rebanhos” ou “monge ermita isolado num templo budista” são reflexos duma individualidade polifacetada que revela a vocação de actriz capaz de criar “as várias vidas de que tanto necessito”.
Os desenhos que povoam o livro são imagens que comunicam conceitos, são mensagens poéticas de quem “aprendeu a ver” e “sabe ser criança para sempre” (…) “de estar simplesmente estando como se todas as coisas fizessem parte de mim e eu delas”.Este livro de poesia, desenho e filosofia é um livro de nostalgia espiritual de quem faz da vida uma procura, uma demanda, uma viagem entre o céu e a terra".


Arquitecto Filipe Francisco
Da aula de 23 de Janeiro aqui vão duas fotografias











Doutoramento do Arq. Luís Pinto Faria



O arquitecto Luís Pinto Faria realizou no dia 16 de Janeiro de 2007 o seu doutoramento "Arquitectura e Cidade - O Paradigma Ecológico no Desenho Urbano do séc. XXI" . Lembramos aqui que o Doutor Pinto Faria foi aluno desta Faculdade e há duas semanas esteve na FAUP, na cadeira de ecologia urbana, onde resumiu o seu trabalho de investigação que vem realizando desde há 10 anos, pois o seu mestrado já era sobre ecologia e arquitectura. O Professor desta cadeira, Doutor Jacinto Rodrigues, foi orientador do mestrado e deste Doutoramento agora realizado na Lusíada e que obteve por unanimidade a classificação de 19 valores.
Ao apresentar o trabalho nesta aula, referiu a importância da ecologia pois ela "está hoje a informar a arquitectura e o urbanismo, não só por via da componente ambientalista, que lhe é denotada mas, fundamentalmente enquanto estrutura lógica complex - pensamento ecologizado - capaz de reorganizar teoricamente termos como sustentabilidade, ecoarquitectura, ecourbanismo, arquitectura orgânica ou arquitectura verde, num mesmo contexto histórico disciplinar alargado, sustentado no passado, no presente e com ambição especulativa sobre o futuro."

Livro sobre Pancho Guedes


O Doutor Miguel João A. Santiago Fernandes é Professor na Universidade Lusófona - Coordenador-Adjunto do Curso de Arquitectura do I.S.M.A.T., Portimão..
Formou-se em Arquitectura, na FAUTL em 1993.
Em 1996 conclui o mestrado com o tema "As Cidades e o Desejo - Metamorfoses da Utopia no final do séc XX / Rem Koolhaas em Lille".
Doutorou-se em 2005 com uma tese sobre o Arquitecto Pancho Guedes.
Encontra-se no prelo, na Editora Caleidoscópio, a publicar em Março de 2007, um livro que escreveu sobre Pancho Guedes.
No prefácio o Professor Jacinto Rodrigues escreveu:

"Escolher fazer um livro sobre Pancho Guedes é já por si um gesto significativo. Implica um desafio a favor da singularidade e da criatividade e da abertura de horizontes sócio-culturais:

- A complexidade artística de Pancho Guedes exprime-se de modo diversificado tanto na arquitectura como na pintura, escultura, desenho e escrita, revelando uma multiplicidade dos gestos criativos.

- A abrangência de uma longa vida com um empenhamento cultural e cívico em paradigmas culturais e civilizacionais diversificados torna a sua biografia de uma singular profundidade e simultaneamente de uma universalidade cosmopolita, dado que viveu em diferentes continentes e em países de desigual desenvolvimento.

- A obra de Pancho Guedes é reveladora de estilos e de influências várias. Mas é igualmente uma expressão de contra-corrente criativa, endógena ao seu espírito irrequieto e de reflexão pessoal voluntarista.

- É ainda uma obra intensa e múltipla. Espraia-se em projectos de urbanização, construção de edifícios, pinturas e escritos. Mil projectos e utopias ao longo de décadas e centenas de realizações dispersas em vários lugares e países.

É este extraordinário tesouro caleidoscópico e polifónico que o Arquitecto Miguel Santiago Fernandes ousou estudar ao escrever este livro sobre a vida e obra de Pancho Guedes.

O livro que aqui vemos faz este prodigioso esforço de quem também em contra-corrente com os estreitos horizontes da cultura arquitectónica académica em Portugal, afrontou esta enorme tarefa de perceber por dentro a obra de Pancho Guedes.

Neste trabalho há muito mais do que a tarefa documental, difícil e necessária numa tese, de arquivar documentos, de registar e situar as obras, coligir textos e classificar fotos, pinturas, desenhos e projectos. Há a viagem. A peregrinação aos locais que fez o Miguel Santiago Fernandes calcorrear países e lugares onde Pancho Guedes estudou, viveu e criou as suas obras.

É de realçar o longo trabalho de registo e investigação sobre “GuedesBurgo” ou seja Maputo, antiga Lourenço Marques onde Pancho Guedes deixou a marca indelével dos seus principais edifícios.

Neste livro mostram-se também as metamorfoses várias da obra complexa de Pancho Guedes. Uma composição aparentemente paradoxal entre o orgânico e o moderno, entre moderno e pós-moderno ou até pré-moderno e neo-moderno.

Na obra de Pancho Guedes diluem-se fronteiras, revelam-se gestos plásticos onde também estão estruturas e exprimem-se formas racionais onde coexistem escultóricas formas arquitecturais, tradições e descobertas.

Uma polifonia sistémica faz interagir a arte e a técnica de tal modo que nunca podemos distinguir fronteiras ou rupturas. É assim um fluir de metamorfoses como nos revela o autor do livro.

E é talvez por isso que em Pancho Guedes o gesto erudito ou o gesto vernacular estão patentes nas suas obras. Veja-se a simplicidade vernacular do Jardim de Infância clandestino no caniço de Maputo, onde a auto-construção e a reutilização de materiais fazem lembrar as casas do Rural Studio de Samuel Mockbee. para os bairros pobres de Alabama. E simultaneamente o registo hiperconstrutivo da Garagem Otto Barbosa ou do projecto para a Torre Ideal para o Montepio de Moçambique.

Miguel Santiago Fernandes mostra a inteireza deste extraordinário artista arquitecto que é Pancho Guedes. As “personas” que nos revela, ao longo da obra complexa, são como a gigantesca coerência poética que fazem de Pancho Guedes o Fernando Pessoa da Arquitectura, tal como Miguel Santiago Fernandes assinalou.

Interessa ainda mostrar uma qualidade que a metodologia seguida pelo autor nos revela. A escrita resultou também de longas horas de conversas, de filmagens, de inúmeras visitas familiares e profissionais que Miguel Santiago Fernandes realizou com Pancho Guedes.

Por isso, o retratado, Pancho Guedes, torna-se várias vezes autor, intervindo no percurso da investigação de Miguel Santiago Fernandes. Procedendo de um modo pessoano vai ele próprio distanciar-se de si mesmo. A sua própria subjectividade dá lugar a uma reflexão activa sobre si próprio ao ver-se retratado.

E assim, Pancho Guedes intervém criticamente nas considerações tecidas sobre a sua própria obra. É nesta dinâmica sistémica que o autor se torna espelho e o retratado torna-se autor. Surge assim, nesta dialógica, uma acção comunicativa que melhor exprime a obra e o autor.

Deste modo, através de informações e reflexões dum olhar plural e interactivo de quem fez da investigação uma vivência participada, revela-se uma observação, implicada na complexidade dos paradigmas em que se move a arte e a arquitectura, nos tempos de hoje."




"Marche du vivant"

No dia 6 de Fevereiro de 2007 vai-se dar início à "Marche du vivant" que pretende ser a maior manifestação ecológica, realizada até hoje, em França.

Trata-se de uma acção de pedagogia social, de enorme alcance público. A marcha partirá de uma pequena aldeia na região dos Pirinéus - Bugarach - e chegará a Paris em Maio de 2007, período entre as eleições presidenciais.

Nesta marcha, participarão dezenas de associações ecológicas e de cidadania, assim como centenas de artistas e personalidades. Estão previstas sessões culturais ao longo das várias aldeias, vilas e cidades. Palhaços, artistas de circo, pintores e conferencistas animarão várias manifestações culturais, sessões de cinema, concertos, etc.

Nesta marcha será apresentada uma casa ecológica - Quiosque da ecologia social - da iniciativa de jovens e professores donde se destaca o Arquitecto Michel Rossell.

Este quiosque estará montado num camião TIR que acompanhará a Marcha e mostrará, de forma exemplar, o uso das energias renováveis e múltiplos sistemas de materiais construtivos biodegradáveis, depurativos e de sustentabilidade agro-ecológica.

Esta manifestação faz-se para alargar a consciência cívica face às alterações climáticas resultantes duma tecnosfera fóssil, esgotante e contaminante que o actual modelo insustentável gera.

paredes em terra



Existem várias formas de fazer paredes em terra: taipa, BTC, adobe e superadobe.
A taipa é muito usada no Alentejo; é um sistema mais caro do que os outros, porque demora mais tempo a ser executado em obra. Consiste na compactação de terra, por camadas, usando um martelo compressor e cofragens laterais. Tem que existir sempre uma estrutura auxiliar, que pode ser de madeira.
O BTC consiste em blocos constituídos por areia, terra, argila, e 5% de cimento ou de cal. O cimento endurece mais rapidamente, o que se traduz numa economia na obra. O interesse deste processo, é que os blocos podem ser produzidos com formas de encaixe. Em alternativa ou complementaridade, os blocos podem ser travados verticalmente, por exemplo com bambu madeira, ou material semelhante.
O adobe constitui-se por blocos de terra com argila, palha, areia e água, sem matéria orgânica. Pode usar-se palha para melhorar a estrutura do tijolo, dando-lhe mais resistência à tracção. Um tijolo com dimensão de 15 x 20 cm em planta, pode pesar cerca de 16 kgs... compreende-se que estas paredes possam ser portantes. Apenas os cantos, quando existem, deverão ser reforçados para melhor resistência aos sismos.
O superadobe é um processo que utiliza terra ou areia colocada em sacos, e empilhados como se de tijolos se tratasse. Estas pilhas têm que ser travadas verticalmente. Não há notícia de que este processo tenha alguma vez sido utilizado em Portugal.

No estudo das questões sísmicas, surgem os "mourões", que podemos observar nas casas típicas do Alentejo. São reforços perpendiculares às paredes exteriores, que auxiliam a casa na ocorrência de sismos.
Numa parede de 40 cm de adobe, 1/3 da energia do exterior só é transmitida para o interior 6 a 8 horas depois de incidir no exterior, constituindo assim um sistema de aquecimento passivo. Existe menos necessidade de aquecer a casa. O problema do aquecimento excessivo é facilmente resolvido através da ventilação natural.
As paredes não podem ter isolamentos que constituam barreiras para o exterior, senão a casa perde a sua capacidade de ter ganhos solares passivos. Por exemplo, as paredes viradas a norte podem ter isolamento em cortiça para aumentar a sua defesa relativamente às agressões térmicas, enquanto que a sul temos ganhos solares controlados.
Uma boa orientação solar pode complementar as condições para um bom comportamento térmico do edifício.
Não deveriam ser usadas tintas plásticas sobre nenhuma superficie de parede e no adobe é exactamente igual, apenas isolamentos e revestimentos que não impeçam a respiração das paredes.
Existem edifícios de adobe com 14 e 15 pisos. Para isso, os pisos inferiores terão que ter paredes resistentes com uma grande espessura, que vai diminuindo à medida que se sobe no edifício.
O adobe é também dos melhores materiais para insonorização, devido à sua elevada massa, que absorve as ondas sonoras.
Neste sistema construtivo não se verificam condensações, porque existem trocas constantes entre o interior e o exterior (apesar de lentas).
A cal vai endurecendo ao longo dos anos, num processo de molecurazição que consome dióxido de carbono, o que pode constribuir para a melhoria da qualidade do ar no interior do edifício.
Finalmente, temos a informação de que existe uma empresa no Algarve que produz e vende tijolos de Adobe, a Construdobe. No entanto, comprar os tijolos já feitos nem sempre é o um processo economicamente viável e ecológico, devido às grandes deslocações que o material tem que efectuar para chegar ao local de construção.
Ficamos à espera de assisir às construções e projectos do Arq. Filipe Francisco em terra e outros.

23.1.07

Hoje recebemos a visita do Arquitecto Filipe Francisco, um eco-arquitecto que trabalhou com o Arquitecto Pedro Correia, e que tem formação em permacultura e geobiologia. Ainda no rescaldo desta visita que nos deixou a reflectir sobre variadas questões, deixo aqui alguns apontamentos sobre os temas lançados..
Em primeiro lugar, o Filipe falou-nos de um projecto para uma casa ecológica em Aveiro que ele colaborou aquando do seu estágio com o Arquitecto Pedro Correia, que brevemente passará à fase de construção. A estrutura desta casa, construída em paredes auto-portantes em adobe, e foi calculada pelo engenheiro Pedro Maia, um dos poucos em Portugal que se dedica ao calculo de este tipo de estruturas de edifícios de terra.O edifício cumpre todos os regulamentos e todas as exigências estruturais, por isso pode ser aprovado legalmente como qualquer outro, ao contrário das ideias que geralmente temos sobre o assunto. Alguns de nós começamos por pensar que seria difícil aprovar o projecto de construção de uma destas casas, dentro dos parâmetros exigidos pelas nossas Câmaras Municipais.
Pelos vistos até existe um senhor (conhecido por Shrek, disseram??) que se dedica à construção corrente de casas de terra, no Alentejo e no Algarve.
O Filipe explicou-nos que a terra resiste bem à compressão, e mal à tracção e à torção. Por isso, a forma do edificio é mais eficiente estruturalmente quando utilizamos formas arredondadas, abóbadas e arcos, que funcionam à compressão e têm um bom comportamento ao sismo. No caso de formas angulosas, os cantos têm que ser reforçados estruturalmente, para que o edifício resista em caso de sismos.
O cimento e o reboco não devem ser usados na construção em terra, porque têm tendência a fissurar. O material de acabamento mais apropriado para a construção em terra é a cal. Existem várias formas de fazer cal... uma forma fácil é recorrer aos produtos da empresa "Fradical", que a fornece pronta a utilizar; foi referida também a existência de um senhor em Guimarães que conhece uma técnica especial de fazer cal, incorporando saibros, etc.
Existem várias formas de fazer paredes em terra... pela extensão da informação que o Filipe nos forneceu, penso que se justifica referí-las num "post" independente.
Em Trás-os-Montes existem fornos em terra, e há notícia até da existência de poços de água feitos em terra, em Portugal.
O professor Jacinto Rodrigues referiu-nos o arquitecto Hussein Fathy como sendo um dos mais conhecidos arquitectos a construir em adobe. Construiu uma aldeia no Egipto e publicou um livro "Construir com o povo e para o povo" onde explicita as técnicas antigas que utilizou na edificação da referida aldeia de Gurma.
Nos posts seguintes apontarei as principais características do adobe referidas na aula, assim como uma última parte muito interessante, esta que julgo nos ter deixado mesmo todos a pensar...

O arquitecto Filipe Francisco, que realizou o curso de arquitectura na FAUP, apresentou como trabalho final o projecto de uma casa ecológica cuja dissertação se encontra na Bilioteca da FAUP com o título "Uma experiência ecológica - uma casa unifamiliar em Gaia".
Além disso frequentou vários cursos de formação sobre geobiologia e permacultura.
Foi colaborador, durante 1,4 meses, na área da eco-arquitectura na empresa COMTERRA, eco-arquitecturas e eco-construção Lda.
Tem, neste momento, vários projectos de carácter ecológico, reconstrução de casas para turismo rural e organização de protótipos para aquecimento solar e produção de electricidades 24 horas através de energias renováveis e umas fundações ecológicas para casas de madeira.
A divulgação do seu trabalho pode ser consultada em:
http://www.ecocriacoes.blogspot.com/ (Blog da empresa) e http://www.setuproprio.blogspot.com/ (Blog sobre Auto-conhecimento)
O arquitecto Filipe Francisco estará disponível para uma reflexão conjunta com os alunos de Ecologia Urbana sobre materiais de ecoconstrução, energias renováveis aplicadas à arquitectura e ainda elementos de geobiologia que possam ajudar a uma melhor implantação dos edifícios bem assim como construção de habitat saudável."