



"Escolher fazer um livro sobre Pancho Guedes é já por si um gesto significativo. Implica um desafio a favor da singularidade e da criatividade e da abertura de horizontes sócio-culturais:
- A complexidade artística de Pancho Guedes exprime-se de modo diversificado tanto na arquitectura como na pintura, escultura, desenho e escrita, revelando uma multiplicidade dos gestos criativos.
- A abrangência de uma longa vida com um empenhamento cultural e cívico em paradigmas culturais e civilizacionais diversificados torna a sua biografia de uma singular profundidade e simultaneamente de uma universalidade cosmopolita, dado que viveu em diferentes continentes e em países de desigual desenvolvimento.
- A obra de Pancho Guedes é reveladora de estilos e de influências várias. Mas é igualmente uma expressão de contra-corrente criativa, endógena ao seu espírito irrequieto e de reflexão pessoal voluntarista.
- É ainda uma obra intensa e múltipla. Espraia-se em projectos de urbanização, construção de edifícios, pinturas e escritos. Mil projectos e utopias ao longo de décadas e centenas de realizações dispersas em vários lugares e países.
É este extraordinário tesouro caleidoscópico e polifónico que o Arquitecto Miguel Santiago Fernandes ousou estudar ao escrever este livro sobre a vida e obra de Pancho Guedes.
O livro que aqui vemos faz este prodigioso esforço de quem também em contra-corrente com os estreitos horizontes da cultura arquitectónica académica em Portugal, afrontou esta enorme tarefa de perceber por dentro a obra de Pancho Guedes.
Neste trabalho há muito mais do que a tarefa documental, difícil e necessária numa tese, de arquivar documentos, de registar e situar as obras, coligir textos e classificar fotos, pinturas, desenhos e projectos. Há a viagem. A peregrinação aos locais que fez o Miguel Santiago Fernandes calcorrear países e lugares onde Pancho Guedes estudou, viveu e criou as suas obras.
É de realçar o longo trabalho de registo e investigação sobre “GuedesBurgo” ou seja Maputo, antiga Lourenço Marques onde Pancho Guedes deixou a marca indelével dos seus principais edifícios.
Neste livro mostram-se também as metamorfoses várias da obra complexa de Pancho Guedes. Uma composição aparentemente paradoxal entre o orgânico e o moderno, entre moderno e pós-moderno ou até pré-moderno e neo-moderno.
Na obra de Pancho Guedes diluem-se fronteiras, revelam-se gestos plásticos onde também estão estruturas e exprimem-se formas racionais onde coexistem escultóricas formas arquitecturais, tradições e descobertas.
Uma polifonia sistémica faz interagir a arte e a técnica de tal modo que nunca podemos distinguir fronteiras ou rupturas. É assim um fluir de metamorfoses como nos revela o autor do livro.
E é talvez por isso que em Pancho Guedes o gesto erudito ou o gesto vernacular estão patentes nas suas obras. Veja-se a simplicidade vernacular do Jardim de Infância clandestino no caniço de Maputo, onde a auto-construção e a reutilização de materiais fazem lembrar as casas do Rural Studio de Samuel Mockbee. para os bairros pobres de Alabama. E simultaneamente o registo hiperconstrutivo da Garagem Otto Barbosa ou do projecto para a Torre Ideal para o Montepio de Moçambique.
Miguel Santiago Fernandes mostra a inteireza deste extraordinário artista arquitecto que é Pancho Guedes. As “personas” que nos revela, ao longo da obra complexa, são como a gigantesca coerência poética que fazem de Pancho Guedes o Fernando Pessoa da Arquitectura, tal como Miguel Santiago Fernandes assinalou.
Interessa ainda mostrar uma qualidade que a metodologia seguida pelo autor nos revela. A escrita resultou também de longas horas de conversas, de filmagens, de inúmeras visitas familiares e profissionais que Miguel Santiago Fernandes realizou com Pancho Guedes.
Por isso, o retratado, Pancho Guedes, torna-se várias vezes autor, intervindo no percurso da investigação de Miguel Santiago Fernandes. Procedendo de um modo pessoano vai ele próprio distanciar-se de si mesmo. A sua própria subjectividade dá lugar a uma reflexão activa sobre si próprio ao ver-se retratado.
E assim, Pancho Guedes intervém criticamente nas considerações tecidas sobre a sua própria obra. É nesta dinâmica sistémica que o autor se torna espelho e o retratado torna-se autor. Surge assim, nesta dialógica, uma acção comunicativa que melhor exprime a obra e o autor.
Deste modo, através de informações e reflexões dum olhar plural e interactivo de quem fez da investigação uma vivência participada, revela-se uma observação, implicada na complexidade dos paradigmas em que se move a arte e a arquitectura, nos tempos de hoje."
No dia 6 de Fevereiro de 2007 vai-se dar início à "Marche du vivant" que pretende ser a maior manifestação ecológica, realizada até hoje, em França.
Trata-se de uma acção de pedagogia social, de enorme alcance público. A marcha partirá de uma pequena aldeia na região dos Pirinéus - Bugarach - e chegará a Paris em Maio de 2007, período entre as eleições presidenciais.
Nesta marcha, participarão dezenas de associações ecológicas e de cidadania, assim como centenas de artistas e personalidades. Estão previstas sessões culturais ao longo das várias aldeias, vilas e cidades. Palhaços, artistas de circo, pintores e conferencistas animarão várias manifestações culturais, sessões de cinema, concertos, etc.
Nesta marcha será apresentada uma casa ecológica - Quiosque da ecologia social - da iniciativa de jovens e professores donde se destaca o Arquitecto Michel Rossell.
Este quiosque estará montado num camião TIR que acompanhará a Marcha e mostrará, de forma exemplar, o uso das energias renováveis e múltiplos sistemas de materiais construtivos biodegradáveis, depurativos e de sustentabilidade agro-ecológica.
Esta manifestação faz-se para alargar a consciência cívica face às alterações climáticas resultantes duma tecnosfera fóssil, esgotante e contaminante que o actual modelo insustentável gera.


O arquitecto Filipe Francisco, que realizou o curso de arquitectura na FAUP, apresentou como trabalho final o projecto de uma casa ecológica cuja dissertação se encontra na Bilioteca da FAUP com o título "Uma experiência ecológica - uma casa unifamiliar em Gaia".
Além disso frequentou vários cursos de formação sobre geobiologia e permacultura.
Foi colaborador, durante 1,4 meses, na área da eco-arquitectura na empresa COMTERRA, eco-arquitecturas e eco-construção Lda.
Tem, neste momento, vários projectos de carácter ecológico, reconstrução de casas para turismo rural e organização de protótipos para aquecimento solar e produção de electricidades 24 horas através de energias renováveis e umas fundações ecológicas para casas de madeira.
A divulgação do seu trabalho pode ser consultada em:
http://www.ecocriacoes.blogspot.com/ (Blog da empresa) e http://www.setuproprio.blogspot.com/ (Blog sobre Auto-conhecimento)
O arquitecto Filipe Francisco estará disponível para uma reflexão conjunta com os alunos de Ecologia Urbana sobre materiais de ecoconstrução, energias renováveis aplicadas à arquitectura e ainda elementos de geobiologia que possam ajudar a uma melhor implantação dos edifícios bem assim como construção de habitat saudável."