Ecologia Urbana

Blog da disciplina de ecologia urbana, do 5º ano da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, docência do Professor Doutor Jacinto Rodrigues

5.12.08

Visita à casa particular de Oscar Niemeyer de 1953

O Professor Jacinto Rodrigues visitou, com o arquitecto Gilles Alvarenga, a casa particular de Oscar Niemeyer, de 1953. Apresentamos aqui um vídeo dessa visita.

video

O Professor Jacinto Rodrigues foi convidado pelo Departamento de Arquitectura da Pontífícia Universidade Católica do Rio de Janeiro- Novembro de 2008

Workshop
Jacinto Rodrigues com o Professor Paes Leme Curso de pós-graduação
O Professor Paes Leme, Coordenador Académico do Curso de Arquitectura e Urbanismo da PUC do Rio de Janeiro, convidou o Professor Jacinto Rodrigues para realizar palestras e orientar um workshop. Durante este período Jacinto Rodrigues fez a palestra de abertura da semana de arquitectura e design e realizou ainda uma palestra sobre Sustentabilidade, no curso de pós-graduação.

O workshop teve a participação de professores e alunos de arquitectura e design e teve como tema uma proposta de ecosustentabilidade para o Campus da P.U.C.

24.7.08

Desafio à América proposto por AL GORE

Al Gore, ao propor uma revolução tecnológica ao nível das energias renováveis, abre uma esperança para a mudança civilizacional.

19.7.08

Uma Visita ao ISEP-Instituto Superior de Engenharia do Porto

Visita ao I.S.E.P. (Instituto Superior de Engenharia do Porto) Julho de 2008 Fomos fazer uma visita ao ISEP acompanhados pelo engenheiro Armando Herculano. No tecto do edificio de cinco andares está montado um pequeno campo experimental de energias renováveis. Duas pequenas eólicas do mesmo tipo (hélice de três pás), alguns colectores solares foto-voltaicos e ainda alguns termo acumuladores para aquecimento de água .Do alto desse terraço era possível avistar outros tectos de estabelecimentos públicos ligados ao pólo universitário: o hospital de S.João, a faculdade de engenharia, de economia etc. Fizemos uma primeira reflexão. Seria importante adoptar um conjunto de eólicas e outros protótipos solares em todos esses edificios; Seria importante também diversificar os modelos. Existem, por exemplo, eólicas “sovonius” que podem circundar os muros dos beirais dos terraços tendo um apoveitamento intenso dos ventos. Todo esse equipamento eólico e solar generalizado poderia dar resposta aos gastos de cada edifício e tornar ainda o conjunto do campus em edificações urbanas de energia positiva, isto é, capazes de produzir auto suficiência energética e, ainda mais, energia suplementar para a rede. Este novo conceito é essencial: tornar estas grandes superfícies urbanas em logística produtiva de energias renováveis para interesse público. Fomos visitar a sala das medições onde se podem ler as entradas energéticas tanto das eólicas como dos painéis fotovoltaicos. Esta monitorização é essencial para uma auditoria ao edifício na sua globalidade. Contudo, é imprescindível analisar não apenas os fluxos energéticos mas também a qualidade ecológica dos materiais de construção, a existência ou não de sistemas passivos e da articulação do edifício com a envolvente paisagística. Fizemos algumas dessas observações que vão para além do uso de uma panóplia de instrumentos de medida, exigindo tambem a perspicácia e a sensibilidade ecológica para descriptar a função de estufa do pano de vidro da escadaria, da pála demasiado rígida que não permitia funcionar com as polaridades sazonais. A entrada nos poços de luz, através de campânulas, não era regularizada em função das diferenças entre Verão e Inverno. Por outo lado, o material de plástico envelhecera e a dificuldade da entrada de luminosidade aumentava. E esta situação agravava-se com o uso da luz artificial que era proveniente de holofotes externos que, gastando energia eléctrica cada vez mais cara, iluminavam cada vez menos. Por fim, demos uma volta ao terreno circundante e pudemos imaginar como é que algumas videiras ou trepadeiras colocadas estrategicamente, poderiam funcionar integradas num sistema de bioclimatização graças à caducidade da folhagem permitindo, ora a entrada de luz no Inverno, ora a sombra refrescante no Verão. Daqui partimos ainda para novas discussões sobre a participação trandisciplinar. Por exemplo, como é que o paisagismo se poderia integrar na bioclimatização geral, na biodepuração das águas residuais e na contribuição agro-ecológica (hortas e pomares urbanos) de apoio às cantinas para alunos e professores. Foi uma viagem de estudo altamente proveitosa que lançou as bases para um trabalho comum, entre alunos de ecologia urbana da Faup e o ISEP.
Jacinto Rodrigues
Julho 2008

1.7.08

Proposta de Trabalho do Professor Jacinto Rodrigues - Apresentação de propostas

De acordo com as propostas de trabalho apresentadas pelo Professor Jacinto Rodrigues (texto em baixo) os alunos explicitaram em desenhos, fotografias e montagens, algumas sugestões tendo em conta parâmetros ecológicos de "superior qualidade ambiental".

Proposta de Trabalho do Professor Jacinto Rodrigues:
"O trabalho prático, este ano, constitui mais um passo nas preocupações pedagógicas que a cadeira de ecologia urbana vem promovendo.
Desde há vários anos, conforme se pode verificar através das sucessivas contribuições na Anuária e no jornal A Página da Educação, tenho promovido uma focagem ecológica através de propostas concretas. Temos feito uma abordagem mais centrada sobre a cidade do Porto.
Foram vários os trabalhos dos alunos sobre a cidade: trabalhos práticos sobre o Porto, o Parque da Cidade, o Campus Universitário e este ano, a Faculdade de Arquitectura.
Ao longo destas experiências temos vindo a utilizar a metodologia Dieter Magnus, na revelação duma realidade que se pretende mudar e que exige uma visualização prévia de cenários possíveis que antecipem essa estratégia de mudança.
Por outro lado, utilizando o conceito de acupunctura urbana de Jaime Lerner, procuramos propôr intervenções em pontos decisivos que devido ao posicionamento e à dinâmica de conteúdo social, criem sinergias para uma transformação mais profunda e alargada. Esses pontos de intervenção sistémica mobilizam acções interactivas no local e no global, contribuindo assim para uma geoestratégia articulada e planeada a curto, médio e longo prazo.
A escolha da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto é um exemplo dessa eco-geoestratégia.
Gerar uma escola de arquitectura pela sua forma e conteúdo exemplares é agir num edifício de valor simbólico para a arquitectura. Por outro lado, ligando o edifício à própria formação de eco-arquitectura é gerar novos agentes para o futuro da arquitectura.
O eco-edifício torna-se gerador de sustentabilidade e maior autonomia para a manutenção do seu funcionamento, tornando-se uma experiência-piloto exemplar.
Vejamos como se pode antever esse edifício exemplar:

1. Criar um espaço de relação com a comunidade, abrindo a escola a serviços para o exterior (cursos, workshops, cinema, teatro, música, etc.);

2. Criar uma escola para crianças com um jardim de aventuras que possa dar apoio aos filhos de professores, funcionários e alunos e também para a população do bairro;

3. Desenvolver hortas rurais de apoio à cantina e um ponto de venda com produtos agro-ecológicos. O uso da permacultura poderá estabelecer “zonas” inter-activas e permitir elementos simbióticos geradores de multifuncionalidades integradas. Assim, os taludes serão processos naturais de divisórias, corta-ventos e simultaneamente eco-topos para variadíssimas produções de arbustos e árvores de fruto. A cantina poderá abrir-se a utentes externos à escola;

4. Desenvolver uma logística em energias renováveis que permita fazer da eco-escola um centro positivo, gerador de energia (eólica e solar) que, para além de tornar autónoma a Faculdade, permitiria a venda de energia à EDP;

5. Promover a recolha de águas pluviais e proceder à biodepuração de águas residuais. Estas águas podem permitir reservas para a horta e pomar, ao mesmo tempo que podem alimentar uma piscina biológica e lago piscícola;

6. Proceder a um ciclo de metabolismo circular de modo a que todo o “lixo” se torne “nutriente” no processo de reciclagem e reutilização. Os nutrientes orgânicos são compostados e utilizados como fertilizantes em agro-ecologia. As águas serão, como vimos, reutilizadas nas diversas funções (rega, uso doméstico, piscina, lagunagem, etc.);

7. Um vasto sistema de bioclimatização permitirá, preventivamente, evitar despesas no aquecimento ou arrefecimento. Será necessário proceder a um eco-paisagismo, orientando as árvores e os desníveis, os muros verdes, os taludes, os declives e os espelhos de água, como pontos de equilíbrio bioclimático externo, antes mesmo de intervir no edifício. No edifício, propriamente dito, o uso de materiais de acumulação térmica e de isolamento, permitirá um maior conforto, sendo aplicados vários sistemas (tectos verdes, sistema Trombe, termoacumuladores solares, acumuladores de poços canadianos e provençal, estufas solares, etc..

8. Criar uma rede de comunicações pedonais, passarelas e vias de velocípedes, integrando todo este sistema aos transportes colectivos de ecotransporte.

Todos esses processos serão articulados segundo uma sensibilização estética e uma funcionalidade sistémica gerada através de uma ecotecnologia o mais apropriável possível pelos utentes.
Estas actividades exigem ecocompetências transdisciplinares e pressupõem equipas solidárias de investigação e aplicação prática.
É a renovação universitária, por excelência, deste projecto que pretende ser uma ruptura epistemológica em relação à forma do ensino tradicional, baseada no academismo serôdio, na ausência de experimentação e no corporativismo dum saber disciplinar limitado e arrogantemente auto-convencido.

Professor Doutor Jacinto Rodrigues"
--Apresentado em 19.5.08

Algumas Soluções:




. Grupo 1 Luís Quintano, Luigi Greco, Marina Carvalhais.

. Grupo 2

23.6.08

Palestra e Apresentação do Filme "A Utopia do Padre Himalaya" no Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira



O Professor Jacinto Rodrigues fez hoje, 23 de Junho, uma palestra mostrando a actualidade das invenções do Padre Himalaya e a sua importância na aplicação em Portugal:
1. energia solar;
2. energia eólica;
3. energia das marés.
Estas preocupações levaram o sábio português a realizar inventos que são, hoje, essenciais para promover uma mudança do modelo civilizacional.
Nesta actividade, organizada pelo Clube de Protecção Civil e Ambiental do Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira, foi também feita uma demonstração de modelos reduzidos de fornos solares com a participação dos Engenheiros Armando Herculano, Emídio Gardé e Luís Almeida.
Alguns desses protótipos foram realizados pelos alunos desta Escola.

21.6.08

3º Congresso Internacional Derbi sobre Energias Renováveis - Perpignan - França - Junho 2008

No dia 5 de Junho de 2008 realizou-se o 3º congresso internacional de energias renováveis - DERBI - no Palácio dos Congressos em Perpignan. Participaram mil congressistas de 30 nacionalidades que integraram vários grupos de trabalho (ateliers temáticos). Cerca de 40 jornalistas franceses e internacionais cobriram o acontecimento.
Na conferência de imprensa, em que participaram elementos do Estado, várias personalidades do ensino universitário e do poder local, revelaram-se cada vez mais os interesses pelas energias renováveis na solução da crise enegética e das mudanças climáticas.
O Presidente do DERBI e Director do Bureau d'Études TECSOL, André Joffre, referiu a importância do urbanismo e da arquitectura, visando soluções de energias renováveis que respondam não apenas à autonomização mas que produzam também energia excedentária para a rede nacional.
Durante 3 dias discutiram-se temas relacionados com as energias solar fotovoltaica, solar térmica, eólica, biomassa e geotérmica.
As conclusões deste congresso podem resumir-se em:
1º O futuro do planeta passa obrigatoriamente pelas energias renováveis;
2º As dificuldades técnicas estão, hoje, ultrapassadas pois as energias renováveis já podem responder cabalmente às necessidades do planeta. Precisam-se apenas de decisões políticas em conformidade;
3º É preciso desenvolver, desde já, cidades e habitats que produzam energia disponível não apenas para as suas necessidades autónomas mas que, suplementarmente, produzam energia para a rede de distribuição nacional e internacional. Perpignan será, em 2015, uma cidade de energia positiva.
O último dia deste congresso foi dedicado à visita de casos concretos. Tivemos ocasião de visitar uma escola, o pólo de infância Claude Simon, em Perpignan, obra da arquitecta Mimi Tjoyas. Esta escola disponibiliza energia eléctrica para a rede, proveniente da energia solar fotovoltaica.


No congresso DERBI esteve também em exposição uma maqueta da "La Maison de Demain". Vale a pena consultar o site: http://www.avivre.net

Trata-se de uma proposta de habitat para energia positiva que, em breve, será industrializado em larga escala.

Jacinto Rodrigues

17.6.08

Professor Jacinto Rodrigues em França sobre Padre Himalaya

No dia 5 de Junho o professor Jacinto Rodrigues participou numa entrevista para a televisão francesa sobre o padre Himalaya, os seus inventos e preocupações relativamente à ecologia. Nessa entrevista aparece, em primeiro lugar, o Presidente da Associação "Les Amis du Padre Himalaya", Antoine Sanchez que apresenta a associação e o trabalho que tem vindo a desenvolver. O Professor Jacinto Rodrigues fala sobre a vida do Padre Himalaya. Esta entrevista dada à televisão RTSF foi feita no âmbito da Festa do Sol e do Congresso Internacional de Energias Renováveis que decorreu em Perpignan. Para ver a entrevista basta ir ao site http://vpod.tv/Joffre/504967

30.5.08

1ª Conferência Internacional sobre Ensino, Investigação e Desenvolvimento em Angola - Universidade do Minho 15 a 17 de Maio 2008


O Professor Jacinto Rodrigues fez uma comunicação na 1ª Conferência Internacional sobre Ensino, Investigação e Desenvolvimento em Angola, na Universidade do Minho, Braga no dia 15 de Maio e cujo resumo se segue:

Jacques Delors, no Relatório apresentado à UNESCO, pela Comissão Internacional sobre Educação para o Séc. XXI , em 1999, refere os quatro pilares necessários para uma mudança de paradigma educativo:
a) aprender a conhecer;
b) aprender a fazer;
c) aprender a viver em conjunto;
d) aprender a ser;
Contudo, este modelo educativo terá que ser inserido num paradigma mais vasto. Um novo paradigma civilizacional. Nesse novo paradigma civilizacional teremos que rever a questão do modo de produção, dos tipos de energia e dos processos e meios tecnológicos.
Na actual situação ecológica de esgotamento da biosfera (energia, espécies e bens naturais) de contaminação poluitiva (poluições globais, secas, mudanças climáticas etc.) e exclusão social, terá que se impor uma mudança não apenas no modelo operativo mas, se queremos sobreviver e viver numa relação simbiótica com a natureza, no processo civilizacional.
A tecnosfera produzida pelo homem gerou pontos de ruptura com a biosfera que já não possui força regenerativa face ao referido esgotamento e contaminação. São claros também os sintomas de crise profunda na sociedade, alargando-se o fosso entre ricos e pobres, gerando-se conflitualidade e violência face às dissimetrias regionais e internacionais, até à fome, miséria e genocídio.
A concorrência desenfreada e a competitividade predatória estão a desarticular toda a eco-economia essencial da biosfera, gerando incontroláveis situações catastróficas: mudanças climáticas, catástrofes naturais, desertificação e perca de biodiversisdade nos ecosistemas.
Neste sentido, o paradigma pedagógico, tal como o pensamento e a cultura e o modo de vida em geral, terão de se ecologizar.
O que propomos para o paradigma pedagógico é ecologizá-lo. Assim, ecologizar a proposta de Jacques Delors é:
a)Eco-empreender , isto é fazer ecologicamente as actividades tecno-estruturais;
b)Eco-aprender a aprender, isto é, aprender a conhecer com o pensamento ecologizado;
c)Eco-aprender a viver em conjunto e em solidariedade para com a biosfera,
criando as simbioses necessárias entre natureza, ecotecnologia e eco-sociedade.
d)Aprender a ser ecologicamente, para se poder viver em harmonia com a
existência saudável duma biosfera.
Só a partir desta orientação estratégica, se podem elaborar os currículos de formação adequados ao ecodesenvolvimento. Esses currículos articulam-se ainda de forma tripartida, embora, sistemicamente em interacção:
a) Formação, no sentido das necessidades de autonomia alimentar, construtiva e
logística de base – Eco-emprender – fazer;
b) Formação criativa, relacional e ainda higiene e saúde – Eco-relacionar-se com os outros e com a biosfera;
c) Eco-apreender saberes para uma estratégia de eco-desenvolvimento.
Interessa compreender que toda essa triarticulação de currículos se relaciona com um trabalho de auto-desenvolvimento para uma consciência auto-reflexiva que tem a ver com a dimensão do ser, de que também fala Jacques Delors. Só com esse trabalho, de definição paradigmática e de estratégias curriculares adequadas, poderemos definir uma conveniente gestão da cultura e do ensino.
A problemática da cultura e do ensino tem a ver com o modelo de desenvolvimento que se discute actualmente na U.E. e no mundo e que assenta numa oscilação entre o neoliberalismo, cujo interesse se articula em torno do mercado e dos interesses lucrativos das multinacionais e o capitalismo de Estado, previdencialista, em que a regulação económica se faz através do “neokainesianismo” ou através do planeamento do Estado autocrático.
Porém, esta situação aparentemente dicotómica tem, afinal, três sujeitos. Aquilo a que se chama o triângulo de “Krohm”.
Com efeito, para além da polaridade Empresa/Estado, existe a expressão duma sociedade autónoma cuja expressão se traduz na auto-gestão participativa e cooperante.
Neste sentido, a questão não é mais Estado ou mais Empresa privada, mas mais sociedade civil auto-organizada.
Por isso, o ensino e a cultura, no desenvolvimento ecologicamente sustentado, terá cada vez mais a ver com a organização consciente e participativa da sociedade civil e menos a ver com formas de mercadoria lucrativa, na órbita das multinacionais ou das manipulações ideológicas do Estado autoritário.

Conferência PEDAGOGIA PARA UMA SUSTENTABILIDADE - Universidade da Beira Interior - Covilhã 7 de Maio 2008







Integrada no IV Ciclo de Conferências em Arquitectura, da Universidade da Beira Interior, o Professor Jacinto Rodrigues realizou uma palestra sobre Pedagogia para uma Sustentabilidade.

Seminário "O Metabolismo Circular e o Eco-Urbanismo" Escola Universitária Vasco da Gama - 23 de Abril de 2008

O Professor Jacinto Rodrigues realizou, no dia 23 de Abril de 2008, a convite da Escola Universitária Vasco da Gama, em Coimbra, um Seminário sobre o Metabolismo circular e o eco-urbanismo.


27.5.08

Actividades pedagogicas - integraçao ao trabalho de grupo (1º semestre)

Algumas das actividades da disciplina de Ecologia da Faup (2007/2008) em video. Dez minutinhos a nao perder. Cortesia do nosso simpatico e ecologico amigo Andre Scarpa. Obrigado Scarpa.

Nota: Nenhum animal foi ferido, nem nenhum rio poluido na elaboraçao deste video. Foi tudo feito digitalmente.

Ivan Dejmal

Introducão

Ivan Dejmal foi um ecologista, arquitecto do ambiente, político e líder as organizações anticomunistas. Ele foi uma pessoa muito importante no cenário político, interessando-se pela protecção do ambiente natural sendo um dos fundadores das leis desta disciplina na República Checa. Ele também criou algumas organizações ecológicas e promoveu conferências onde os problemas são ainda hoje resolvidos.




por Helena Kopová 5°Ano FAUP

20.5.08

ECOSFERAS - CONCEITO



Sustentabilidade

1_DEFINIÇÂO DO CONCEITO: EXEMPLO PRÁTICO.

A ecosfera original (Ecosferas®) nasceu da investigaçâo aeroespacial da Nasa. Se procuravam sistemas fechados no espaço onde os astronautas pudermam viver en viajes longes. Queríanm encontrar um entorno autosuficiente, producendo alimentos e oxigeno para a tripulaçâo e manter a àgua e o aire limpo y reutilizable. A Nasa deu esta tecnología para que o pessoal pudiesse compreender melhor o equilibrio na natureza. E estos pequenos munos tâo fascinantes sâo as Ecoesferas.

É o primer ecosistema totalmente fechado; un mundo pequeno completo e autosuficiente dentro duma bola de cristal. Fácilmente manejable, uma ecosfera é um elemento de aprendizajem que vai proporcionar informaçâo interesante sobre a vida no nosso planeta, assim como uma mostra da tecnología para a futura exploraçâo do espacio.

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Num sustrato de água marina filtrada habitam os camarôes vermelhos, com outrosmicroorganismos activos e algas.Debido a que la ecosfera es un ecosistema autosuficiente, no es necesario ningún aporte alimenticio externo.

Simplesmente deve fornecer a seu ecosphere uma contribuição da luz indireta natural ou artificial que reserva para manter o ciclo biológico, para apreciar este jogo da arte e a ciência, a beleza e o contrapeso. Para ser um sistema closed e independente, os recursos vivos do trabalho de Ecospheres sem contaminar o medio.ambiente, de modo que o ecosphere não necessite limpar e somente ele requerem um cuidado mínimo. A expectativa média da vida de Ecospheres realiza-se de dois a cinco anos, embora algumas caixas dos shrimps ocorram que começaram alcançar os 20 anos em seu ecosphere. Vê o manual para uma informação mais grande sobre o ecosphere.

O ecosistema está formado por os camarôes, o àgua filtrada, as algas, a gorgonia e a gravilla.
A Ecosfera é um exemplo de desarrollo sostenivel.

No caso do que estamos a falar só há de requerir luz externa para a sua auto-suficiença.
A luz e o dióxido de carbono permite a produçâo de oxígeno das algas, e os camarôes alimntam-se das algas e bacterias, e respiram o oxígeno gerado pelas algas na fotosíntesis.
Os camarôes e as bacteria producem também dióxido de carbono que é o que precisam as algas para producir oxígeno.

Produce-se portanto un sistema fechado e auto-suficiente

2_FONTES

2.1.- Sites

http://www.ecosferas.com/
www.ecosferaportuguesa.blogspot.com/

Referências da NASA:

http://spaceplace.nasa.gov/sp/kids/earth/wordfind/
http://www.nas.nasa.gov/About/Education/SpaceSettlement/teacher/lessons/bryan/ecosys/


Luis Quintano Navarro / Ecología Urbana 2007-08 / Erasmus FAUP

JOSE ORTEGA GASSET

1_VIDA E PENSAMENTO

1.1_ Biografia

Filósofo espanhol. Nasceu em Madrid
, 9 de Maio de 1883 e morreu no 18 de Outubro de 1955.

Ortega y Gasset iniciou os seus estudos no colégio de Jesuítas em Miraflores, Málaga (1891-97), frequentou a Universidade de Direito em Bilbao (1897-98) e a Universidade Central de Madrid (1898-1904) onde se doutorou em Filosofia (1904).

Continuou os seus estudos na Universidade de Berlim, Leipzig e Marburg entre 1905 e 1907, tendo trabalhado dois anos como professor na Escola Superior de Magistratura em Madrid.
Em 1910 foi nomeado professor de Metafísica na Universidade Central de Madrid. Nesse mesmo ano contraiu matrimónio com Rosa Spottorno Topete com quem constituiu família.

Ortega y Gasset fundou diversas revistas e jornais, como por exemplo o jornal Faro (1908), a revista Espanha (1915-23) e a influente Revista de Ocidente (1923-36), bem como alguns grupos com funções políticas, nomeadamente a Liga de Educação Política Espanhola (1914) e o grupo de serviço à Republica (1931).

Em 1930, Ortega y Gasset publicou uma das suas melhores obras, La Rebelion das Massas, onde caracteriza a sociedade do século XX .

Em 1931, após a queda do ditador Miguel Primo de Rivera e da monarquia, é declarada a segunda República Espanhola, sendo Ortega y Gasset eleito deputado pela província de León no novo congresso.

Durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39) Ortega y Gasset é voluntariamente exilado na Europa e na Argentina, onde permaneceu até 1942, uma vez que não estava disposto a exercer as suas funções durante o regime de Franco.

Em 1945, após o final da 2ª Guerra Mundial, Ortega y Gasset voltou a Espanha, mais concretamente a Madrid, depois de ter estado exilado em Lisboa desde 1942. Em 1948 fundou o Instituto de Humanidades em Madrid.

Durante toda a sua vida Ortega y Gasset pronunciou inúmeras conferências em diversos países como a Alemanha, Suíça e Estados Unidos da América. Publicou também imensas obras. José Ortega y Gasset deu a sua última conferência em Veneza em 1955. Faleceu em Madrid a 17 de Outubro desse mesmo ano sendo sepultado no cemitério de San Isidro.
Ortega y Gasset é considerado o maior filósofo espanhol, tendo influenciado grandemente o renascimento cultural e literário de Espanha no século XX.

A sua contribuição mais importante foi a teoria de “Eu sou eu e a minha circunstância”, estudando a importância do contexto na formação da nossa pessoalidade.

1.2.- Eu sou eu e a minha circunstância

Com a frase “Eu sou eu e as minhas circunstâncias “ Ortega insiste no que rodeia o homem, não só o mais imediato, senão também o remoto; não só o físico, também o histórico e espiritual.

Na opinião de Ortega, o homem é o problema da vida e percebe a vida como algo concreto, incomparável, único: “A vida é o individual”; se calhar, “Eu no mundo”; e esse mundo é uma coisa ou uma suma delas, senão um cenário, porque a vida é tragédia ou drama, algo que o homem faz e acontece com as coisas.

Viver e um relacionamento com o mundo, uma direcção a ele, uma preocupação com ele. Noutros termos, “a realidade que rodeia homem produz a outra metade da nossa pessoalidade”

O homem é um ser submergido numa circunstância (ou natureza) e esta representa varias concepções do seu estado físico e mental.

Assim o homem tem a missão da satisfação das circunstâncias, tem a tarefa da criação da “Técnica” e pomos definir como: “ a reforma que o homem impõe à natureza para conseguir a satisfação das suas necessidades.

2_EXEMPLO DE APLICAÇÂO NA ARQUITECTURA

2.1.- CASA MALAPARTE. Adalberto Libera

Arquitecto: Adalberto Libera
Cliente: Curzio Malaparte
Cidade: Capri (Italia)
Anos: 1940

A Casa Malaparte de Adalberto Libera é uma das obras mais interessantes na história da arquitectura, mas a sua importância radica não só nas suas qualidades arquitectónicas próprias, senão na sua atitude no relacionamento com o contexto. É um exemplo único e aproveita as circunstâncias externas para fazer a obra mais interessante. A paisagem e a Casa na sua união conseguem um lugar incrível, é mesmo fácil observar como a casa fora do contexto não poderia conseguir o mesmo efeito, mas também como o paisagem sem a obra não poderia ser único.
Como Ortega dizia “Eu sou eu e as minhas circunstâncias”, a Casa Malaparte é ela mesma e as circunstancias, e não só o paisagem.

São muitas experiencias de artistas que nós fazem pensar na importância do contexto, seja como exemplo Marcel Duchamp. Na obra “Fountain” Duchamp percebe como as coisas mudam de realidade fora do seu contexto mais previsível. Os factores externos sâo tão importantes como os próprios objectos.

Este exemplo faz perceber como se pode fazer arquitectura não só com respeito à natureza senão que melhore as suas próprias condições, consegue seja ainda mais belo.

3.- BIBLIOGRAFIA

ORTEGA Y GASSET

-
www.ortegaygasset.edu/

- es.wikipedia.org/wiki/José_Ortega_y_Gasset



CASA MALAPARTE

- es.wikipedia.org/wiki/Casa_Malaparte

-
www.mansilla-tunon.com/circo/epoca5/pdf/2002_105.pdf
(Artículo para a revista Circo dos arquitectos espanhois Emlio Tuñón y Luis Moreno Mansilla)

Luis Quintano Navarro / Ecología Urbana 2007-08 / FAUP

Tampas de plástico - vale a pena separar!




Toda a gente sabe que se devem recolher as tampas plásticas, antes de mandar as garrafas para reciclar. Os miúdos recolhem montes delas em casa, para entregar na escola, e muitos quilos juntos prometem a oferta de uma cadeira de rodas a uma instituição. Nada de novo.
Quando eu pensava que a razão de tanto interesse nestas tampas tinha a ver com o facto de o plástico nelas utilizado parecer ter maior qualidade, maior densidade, e que por isso seria um desperdício misturá-lo com o restante, eis que descubro que afinal existe uma razão bem mais interessante para o fenómeno.
Ora poucas são as pessoas que comprimem as garrafas e as tampam, de forma a reduzir em muito o seu volume. O normal era as garrafas serem atiradas, quer para o lixo comum quer para o ecoponto, no seu tamanho normal e com a tampa. Apesar de os camiões do lixo fazerem uma primeira compressão do volume recolhido, essas garrafas com a tampa não sofriam a compressão por estarem cheia de ar "engarrafado", e ocupavam muito espaço quer nos camiões de recolha, quer mais tarde nos aterros (as que não são separadas).
Daí que os ganhos que permitem oferecer as cadeiras de rodas se consigam apenas através dessa economia de espaço, que se traduz em menos volume de transporte (logo menos camiões, menos combustível, menos poluição) e menos volume de lixo para aterrar (apesar de ser inadmissível que se continuem a enviar garrafas de plástico para o lixo comum).
De felicitar ainda o novo detergente skip que, ao ser verdade o que diz a publicidade, reduz para metade a quantidade de água presente no detergente, sendo que poupa em espaço e em transporte. Dá que pensar.. se repararmos na maioria dos nossos produtos caseiros, sejam eles detergentes, sumos, produtos de higiene, etc., a maior percentagem da sua composição é constituída por água. Ora andam aí grandes camiões cuja maior percentagem da matéria que transportam é.. ÁGUA! Misturada com todo o tipo de produtos.. que necessitam de embalagens duplamente maiores!! Não seria tudo mais limpo se esses produtos estivessem disponíveis em versão concentrada, e toda a água necessária pudesse ser acrescentada no momento da sua utilização, directamente da canalização de nossa casa que nos traz a água de forma mais limpa do que a imensa quantidade dos camiões das transportadoras?
Fica a ideia..

19.5.08

Actividades em Ecologia Urbana - Aula 13.11.07




Ecologia Urbana
Aula 13.11.07

Início da aula com apresentação de um documentário exibido pelo canal RTP 2, no programa Biosfera, acerca do Metabolismo das cidades e metabolismo circular.

Em resumo, neste programa falou-se sobre o tipo de metabolismo que se esta a usar nas cidades, ou seja o metabolismo linear, porque cerca de 80% da população mundial vive nas cidades, usando 75% dos recursos naturais do planeta. Dado a escassez cada vez mais acentuada dos recursos naturais, existe um incentivo por partes destas cidades para a adesão da reciclagem e da reutilização de materiais, já que Portugal recicla 15% do lixo, dando o exemplo através da reutilização das águas da chuva e os estudos elaborados nas universidades para a reciclagem de diversos tipos de materiais como cimentos, metais e líquidos.

Também foi falado das cidades integradas no programa loud carbon, onde a cidade do Porto faz parte reduzindo cerca de 30% do dióxido de carbono emitido para a atmosfera, através da utilização de meios de transporte cada vez menos poluentes (híbridos, eléctricos ou a gás natural).
(ver vídeo em anexo).

A aula seguiu com um exercício colectivo, onde foram distribuídas mandalas impressas a cada um dos alunos enquanto ouvíamos música instrumental. O exercício consistia inicialmente em relaxar e deixar os sentimentos fluírem de acordo com a música, simplesmente relaxar e pensar como aquela mandala poderia ser, o nosso planeta. À seguir deveríamos utilizar os materiais para pintura disponíveis, lápis de cor, marcadores, etc., para completar e colorir nossas mandalas de acordo com nossos sentimentos e desejos.

Passados alguns minutos, deixamos as mandalas sobre a mesa e partimos para uma visita de reconhecimento da FAUP junto com o professor Jacinto Rodrigues.

Iniciamos pelo piso superior, seguindo pelo corredor ao lado da sala do quinto ano até chegar a sala destinada ao laboratório de fotografia, onde pudemos ver as rachaduras na estrutura do edifício. A patologia em questão se localiza sobre o Auditório Fernando Távora e diz respeito a falta de adequação entre os materiais utilizados, pois a estrutura que suporta o vão do Auditório é feita por vigas metálicas e sobre estas vigas se apoiam as paredes de tijolo do piso superior, como a acomodação natural de um material é diferente do outro e não há entre eles nenhum material de transição, a acomodação da viga metálica foi muito superior à acomodação que o tijolo poderia suportar, provocando as rachaduras.
Seguimos para o piso inferior, onde fomos questionados quanto a percepção do local, a observar mais atentamente a área do foyer da Sala Nobre. Pudemos observar mais atentamente a Exposição Anuária, até chegarmos na base da rampa, onde pudemos contemplar o enquadramento do pátio e dos outros edifícios formado por uma das janelas.

Descemos a rampa de entrada e seguimos em direcção ao pátio exterior, onde dispensamos alguma atenção sobre a escada inclinada (escultórica), à pala construída atrás da área de exposição e que não se apoia na estrutura. Nesta pala podemos também observar a formação de estalactites. Seguimos pela área superior ajardinada do pátio em direcção ao Pavilhão Carlos Ramos, paramos uns instantes para observar a localização dos equipamentos de serviços (UTA´s). Contornamos o Pavilhão Carlos Ramos dedicando alguma atenção ao corte no desenho de uma parede posterior para a preservação da raiz de uma árvore, a distância entre os blocos do pavilhão, formando uma “porta” e também ao seu espaço e organização interior.

Continuamos a visita pelos pavilhões anexos à Casa Rosa, onde pudemos observar a estrutura em bambu com tecto verde desenvolvida durante o workshop do TIBÁ. Ao lado da Casa encontra-se uma antiga fonte de água do século XIX, que alimentava toda a área da antiga quinta e suas cavalariças. Posteriormente, devido a poluição, a água da fonte foi canalizada, servindo apenas para alimentar a horta.

Chegamos finalmente ao miradouro, com uma grande visão de toda a área da faculdade, onde podemos observar a relação existente entre os diversos espaços da faculdade, a relação do antigo, vernacular, com o construído. Neste mesmo lugar o professor Jacinto Rodrigues apresentou sua proposta para a FAUP, a proposta de uma faculdade sustentável, projecto a ser desenvolvido na disciplina durante o ano. Foram relembrados alguns atractivos do projecto, como sua implantação voltada a sul, área de maior incidência solar e seu possível aproveitamento, assim como o aproveitamento da corrente de vento marítima, a água disponível na propriedade e sua relação com possíveis hortas que auxiliariam as cantinas e o bar, para além da bela paisagem.

A visita aos espaços da faculdade, se apresentou como uma introdução ao trabalho a ser desenvolvido, onde antigos conceitos foram revisto e novos apresentados para uma futura discussão acerca da sustentabilidade deste edifício em específico, nesse sentido foram lançadas possíveis propostas para a reabilitação deste edifício aproveitando tudo o que o rodeia de modo a construir um ecosistema de metabolismo circular onde tudo se transforma e se aproveita.

Voltando para a sala, e mais uma vez para o exercício das mandalas, estas estavam trocadas, e pudemos reflectir alguns instantes sobre a imagem do trabalho desenvolvido pelos outros alunos da turma. Posteriormente fizemos um exercício que consistia em observar durante alguns segundos uma determinada cor específica e imediatamente depois cobri-la com papel branco, para que se observasse sua cor oposta. Este exercício segue o tratado das cores de Goethe, onde se apresentam as cores primárias, ou cores do cosmo, vermelho, azul e amarelo e seus opostos, as cores secundárias, ou cores da terra, respectivamente verde, laranja e violeta.

Como conclusão da aula, o professor Jacinto Rodrigues apresentou uma aula, onde explicou sobre o equilíbrio estável do ambiente, e o conceito de Biosfera, pesquisa realizada por Vernadsky, cientista da NASA em 1968.

A Biosfera é formada basicamente por pelas componentes do lugar, luz, água, terra e ar (bio+topo) e por seres vivos, classificados em produtores, consumidores e decompositores (bio+cinose).

Para além da Biosfera, deve-se considerar também a chamada Noosfera, mundo de pensamento, da criação humana, formada pela Tecnosfera.

E esta relação da Biosfera com a Noosfera actualmente está gerando uma ruptura no sistema, e acarretando o esgotamento, a contaminação e exclusão social.



Além das explicações teóricas sobre o tema também foram apresentados diversos exemplos de actividades práticas desenvolvidas por diversos países.
(ver vídeo em anexo).

Acta realizada por: Andrea Carolina Correia e Paula de Sousa Cicuto

13.5.08

Sobre a disciplina de Ecologia Urbana. Breve Nota.

Caros amigos e amantes do ambiente. Antes de mais um pedido de desculpa pelo facto de este blogue estar inactivo há tanto tempo, mesmo que por motivos que nos foram alheios. Mas esses tempos de inércia terminaram, esperemos que de vez, e que de futuro seja possível mostrar o que tem sido feito, e o que irá ser feito, na disciplina de ecologia urbana do quinto ano da FAUP. É um privilégio, uma honra, mas também uma grande responsabilidade ser o porta-voz da disciplina neste blogue. Há muito para contar relativamente as actividades que foram feitas ao longo do ano lectivo, desde visitas de estudo, workshops, assim como actividades elaboradas durante as aulas. Como o ano vai longo, começarei pelas actividades mais recentes, até chegar as actividades mais longínquas no tempo. Como podem verificar não houve, até hoje, mais do que um “post” relativamente a assuntos directamente ligados à disciplina (visitas de estudo, visitas de arquitectos, workshops, actividades em geral). As actividades elaboradas nesta disciplina, por mais pequenas que sejam, são de extrema relevância para a formação e crescimento enquanto alunos e futuros profissionais de arquitectura, mas acima de tudo, enquanto indivíduos que necessitam de actuar, de ser pró-activos nas questões ambientais, assim como no dia-a-dia. Apesar de haver cada vez mais informação, e cada vez mais sinais preocupantes que revelam os verdadeiros estragos e efeitos da força poluidora (destruidora) do Homem sobre a natureza, as mudanças de atitude por parte do Homem perante esses problemas, não estão, aparentemente, a ser suficientemente céleres para a sua resolução. Cabe-nos a nós, alunos e visitantes deste blogue, tomar um papel activo na alteração da mentalidade dos que nos rodeiam. A ideia de que “não vale a pena ser ecológico porque ninguém o é”, é uma ideia que deve ser posta de parte, pois só através do exemplo teremos influência sobre as outras pessoas. Muito em breve, colocarei mais informação no blogue relativamente as actividades das aulas. Até lá, um Forte Abraço, Tiago.

24.4.08

TRABALHO PRÁTICO DOS ALUNOS DE ECOLOGIA URBANA 2007-2008

O trabalho prático, este ano, constitui mais um passo nas preocupações pedagógicas que a cadeira de ecologia urbana vem promovendo.
Desde há vários anos, conforme se pode verificar através das sucessivas contribuições na Anuária e no jornal A Página da Educação, tenho promovido uma focagem ecológica através de propostas concretas. Temos feito uma abordagem mais centrada sobre a cidade do Porto.
Foram vários os trabalhos dos alunos sobre a cidade: trabalhos práticos sobre o Porto, o Parque da Cidade, o Campus Universitário e este ano, a Faculdade de Arquitectura.
Ao longo destas experiências temos vindo a utilizar a metodologia Dieter Magnus, na revelação duma realidade que se pretende mudar e que exige uma visualização prévia de cenários possíveis que antecipem essa estratégia de mudança.
Por outro lado, utilizando o conceito de acupunctura urbana de Jaime Lerner, procuramos propôr intervenções em pontos decisivos que devido ao posicionamento e à dinâmica de conteúdo social, criem sinergias para uma transformação mais profunda e alargada. Esses pontos de intervenção sistémica mobilizam acções interactivas no local e no global, contribuindo assim para uma geoestratégia articulada e planeada a curto, médio e longo prazo.
A escolha da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto é um exemplo dessa eco-geoestratégia.
Gerar uma escola de arquitectura pela sua forma e conteúdo exemplares é agir num edifício de valor simbólico para a arquitectura. Por outro lado, ligando o edifício à própria formação de eco-arquitectura é gerar novos agentes para o futuro da arquitectura.
O eco-edifício torna-se gerador de sustentabilidade e maior autonomia para a manutenção do seu funcionamento, tornando-se uma experiência-piloto exemplar.
Vejamos como se pode antever esse edifício exemplar:

1. Criar um espaço de relação com a comunidade, abrindo a escola a serviços para o exterior (cursos, workshops, cinema, teatro, música, etc.);

2. Criar uma escola para crianças com um jardim de aventuras que possa dar apoio aos filhos de professores, funcionários e alunos e também para a população do bairro;

3. Desenvolver hortas rurais de apoio à cantina e um ponto de venda com produtos agro-ecológicos. O uso da permacultura poderá estabelecer “zonas” inter-activas e permitir elementos simbióticos geradores de multifuncionalidades integradas. Assim, os taludes serão processos naturais de divisórias, corta-ventos e simultaneamente eco-topos para variadíssimas produções de arbustos e árvores de fruto. A cantina poderá abrir-se a utentes externos à escola;

4. Desenvolver uma logística em energias renováveis que permita fazer da eco-escola um centro positivo, gerador de energia (eólica e solar) que, para além de tornar autónoma a Faculdade, permitiria a venda de energia à EDP;

5. Promover a recolha de águas pluviais e proceder à biodepuração de águas residuais. Estas águas podem permitir reservas para a horta e pomar, ao mesmo tempo que podem alimentar uma piscina biológica e lago piscícola;

6. Proceder a um ciclo de metabolismo circular de modo a que todo o “lixo” se torne “nutriente” no processo de reciclagem e reutilização. Os nutrientes orgânicos são compostados e utilizados como fertilizantes em agro-ecologia. As águas serão, como vimos, reutilizadas nas diversas funções (rega, uso doméstico, piscina, lagunagem, etc.);

7. Um vasto sistema de bioclimatização permitirá, preventivamente, evitar despesas no aquecimento ou arrefecimento. Será necessário proceder a um eco-paisagismo, orientando as árvores e os desníveis, os muros verdes, os taludes, os declives e os espelhos de água, como pontos de equilíbrio bioclimático externo, antes mesmo de intervir no edifício. No edifício, propriamente dito, o uso de materiais de acumulação térmica e de isolamento, permitirá um maior conforto, sendo aplicados vários sistemas (tectos verdes, sistema Trombe, termoacumuladores solares, acumuladores de poços canadianos e provençal, estufas solares, etc..

8. Criar uma rede de comunicações pedonais, passarelas e vias de velocípedes, integrando todo este sistema aos transportes colectivos de ecotransporte.

Todos esses processos serão articulados segundo uma sensibilização estética e uma funcionalidade sistémica gerada através de uma ecotecnologia o mais apropriável possível pelos utentes.
Estas actividades exigem ecocompetências transdisciplinares e pressupõem equipas solidárias de investigação e aplicação prática.
É a renovação universitária, por excelência, deste projecto que pretende ser uma ruptura epistemológica em relação à forma do ensino tradicional, baseada no academismo serôdio, na ausência de experimentação e no corporativismo dum saber disciplinar limitado e arrogantemente auto-convencido.

Professor Doutor Jacinto Rodrigues

Catálogo de imagens de soluções já realizadas em diferentes sítios


21.3.08

Workshop MIT

Caros alunos do 6º ano da FAUP, Informamos que nos próximos dias 24, 25 e 26 de Março de 2008 iremos receber na FAUP uma delegação do MIT (Massachusetts Institute of Technology) que irá apresentar o Projecto "Vertical Studio - SOFT SPACE : Active Cladding Sustainable Strategies for Textile Construction", numa acção de parceria entre o MIT e a FAUP. Este Studio, composto por oito alunos do Departamento de Arquitectura do MIT, é dirigido pela Arq. Sheila Kennedy (Boston), com a colaboração da Arq. Sofia Thenaisie e do Arq. Álvaro Andrade (Porto). Convidam-se os interessados a participar nesta acção a inscreverem-se para: aandrade@arq.up.pt A inscrição deverá incluir os seguintes dados: Nome Completo / Data de Nascimento / Situação Académica (estágio/seminário, área de interesse para prova final, professor orientador) Projecto MIT Com espírito interdisciplinar, este Vertical Studio do MIT procura explorar a integração de nano-materiais solares flexíveis, com construção têxtil ultra-leve como um novo medium para a geração e distribuição de energia renovável em arquitectura. O Studio oferece aos estudantes do MIT a oportunidade de trabalhar directamente com a última geração de materiais colectores de energia, flexíveis e ultra-leves, que redefinem como e onde a energia é produzida, desafiando as convenções modernas de centralização de serviços de fornecimento de energia, e criando novas potencialidades para novas experiências espaciais e para o uso das superfícies arquitectónicas. O Studio criará oportunidades de discussão interdisciplinar com MIT Architecture & Urban Studies Department, o MIT Design Lab's Entrepreneurial Programming & Research on Mobile Phones (EPROM) e o MIT Center for Photovoltaic Research. Os estudantes que integram o Studio farão propostas arquitectónicas hipotéticas para um local específico em Portugal, para demonstrar conceptualmente como os protótipos de revestimento solar activo podem ser aplicados no contexto de um programa e local específicos. Para explorar os potenciais de fotovoltaicos flexíveis, os alunos do Studio irão encarar questões-chave na prática contemporânea do desenho arquitectónico - a identificação de oportunidades espaciais e programáticas oferecidas pelo uso de energias renováveis, a criação de soluções de coberturas/revestimento para geometrias de curvatura complexa e o desenvolvimento de técnicas de trabalho que permitam que o designer/criador opere simultaneamente em ambientes digitais e físicos. Em suma, o objectivo principal é explorar as potencialidades oferecidas por nano-materiais de avançada tecnologia, capazes de gerar energia, desenvolvendo-os e aplicando-os especificamente à situação geográfica e energética portuguesa. Participação portuguesa Na visita a Portugal, conversas e debates com os representantes de Sponsors e com estudantes da FAUP serão encorajadas para o processo de design/projecto. Deste modo, um pequeno grupo de oito alunos do 6ºano da FAUP, seleccionados por ordem de inscrição, será convidado, mediante inscrição individual, a participar no Workshop que acompanhará o Studio durante a sua visita a Portugal, nas referidas datas. Este Workshop incluirá a partilha de experiências na área projectual, visita ao local, sessões de exploração técnica de novos materiais. Serão fomentadas e incentivadas todas as eventuais colaborações futuras. Resultados Os resultados serão apresentados tanto no MIT como em Portugal através de sessões próprias de apresentação e de material digital que poderá ser divulgado pela internet ou por outros meios (publicação, exposição, difusão por outros media) Programa: Dia 24 10h Encontro na FAUP. Estudantes portugueses e americanos Disposição dos protótipos no pátio para início da captação da energia solar 11h Sala plana FAUP Arq. Sofia Thenaisie Sinopse histórica da cidade do Porto ALMOÇO 15h Sala Plana FAUP Eng. Albano Carneiro (Área Metropolitana do Porto) Perspectiva actual e futura do sistema de mobilidade da Área Metropolitana do Porto 15h30 Prof. Dr. Oliveira Fernandes (Agência de Energia do Porto) Âmbito de actuação da Agência de Energia do Porto - Propostas para plano energético 16h Alunos MIT Breve apresentação dos protótipos Dia 25 10h Casa da Música Visita ao terreno de projecto ALMOÇO 14h30 Sala Torre G ao nível do pátio. FAUP Team work 16h Sala Plana FAUP Alunos MIT. Presença das empresas: SHREDER, DST, EFACEC, TMG Exposição do Projecto SOFT SPACE: Active Cladding Sustainable Strategies for Textile Construction Explanação técnica relativa à última geração de materiais colectores de energia Apresentação dos protótipos na presença de luz e na ausência de luz Dia 26 10h Visita às obras de Siza Vieira (Piscinas de Leça, Casa de Chá, Serralves) ALMOÇO 15h FAUP Team work Desinstalação dos protótipos

9.3.08

Encontro com Pierre Rabhi

Pierre Rabhi nasceu na Argélia, num pequeno oásis do sul.
Muito novo moveu-se entre duas culturas. Preservando as suas raízes duma família sufi, argelina, foi educado por um casal de professoress franceses após a morte de sua mãe.
Em 1958, tendo vindo muito novo para França com os pais adoptivos, conheceu a vida operária numa fábrica de Paris mas acabou por vir a instalar-se numa província do interior, Ardèche, com a sua família, tornando-se agricultor. Orientando a sua actividade rural durante 25 anos para a agro-ecologia, tornou-se num “expert”. Veio a ser consultor de organizações internacionais e divulgou os seus conhecimentos em agro-ecologia em diversos países africanos. Ao longo da sua actividade como consultor, forneceu utensílios teóricos e práticos para a autonomia alimentar das populações, procurando reconciliar a actividade humana com a natureza.
Em 2002 lançou o “apelo para uma insurreição da consciência” e foi candidato alternativo às eleições presidenciais francesas. Tal como em 1974, Renné Dumont, célebre engenheiro agrónomo e pioneiro da ecologia, teve grande impacto sobre a vida política convencional. A problemática agro-ecológica tornou-se, a partir de então, objecto de debate alargado aos cidadãos.
A importância de Pierre Rabhi, cuja obra científica e literária é já reconhecida no mundo, está no facto de se engajar numa prática de vida, num ensino da frugalidade feliz que o tornaram numa figura emblemática: um novo Gandhi dos nossos dias.
As ideias-base de Pierre Rabhi podem resumir-se à:
- Não violência;
- Pertença inter e transcultural como atitude nova dum universalismo concreto, alimentado pelas experiências singulares vividas;
- Recusa do dogma do crescimento e defesa de um decrescimento na área das tecnologias contaminantes e de esgotamento;
- Recusa de uma modernidade em que se “vive para trabalhar em vez de trabalhar para se viver” e duma “civilização de combustão triunfante” da termodinâmica dissipativa que enjeita a realização criativa do trabalho manual e intelectual.
Rabhi desenvolveu uma acção em várias frentes. Da problemática altermundialista à intervenção local, abrangendo experiências em locais diversos como França, Marrocos, Burkina Fasso, etc. Pensar e agir criando alternativas participadas.
A palavra de ordem do movimento “Terre et Humanisme”, de que é Presidente de honra, consiste em promover experiências exemplares de agro-ecologia por todo o território - criar “um oásis em cada lugar”.
O movimento “Terre et Humanisme” tem apoiado inúmeras iniciativas em África e na Europa. Tem desenvolvido acções de formação, particularmente em agro-ecologia e na pedagogia social. Tem-se oposto à introdução de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) levando a cabo acções comuns, com várias organizações, contra as multinacionais responsáveis pela introdução dos OGM. Pierre Rabhi tem trabalhado em cooperação com a Universidade “Terre du Ciel” e tem sido uma voz activa na política favorável à consciência ecológica. Veja-se, o livro que escreveu, recentemente, com Nicolas Hullot . Trata-se de uma importante contribuição na ecosofia.
Por outro lado, encarando uma actividade prática, Pierre Rabhi realiza projectos-piloto em Marrocos, Burkina-Fasso, Mali, etc.
Actualmente, em cooperação com Michel Valentin, participa no projecto “Les Amanins”, escola de vida, quinta experimental educativa, cujo objectivo central é formar agentes de eco-desenvolvimento, dotados de intrumentos teórico-práticos para a mudança do paradigma.
No dia 22 de Agosto de 2007, depois de atravessarmos a pequena vila de Lablachère, seguimos para a casa de Pierre Rabhi, situada no lugar de Montchamp. É nesse lugar que se situa a quinta de Pierre com uma casa de construção vernacular onde encontramos a Michele Rabhi. O Pierre ainda não chegara duma reunião em Mas de Beaulieu.

A Michele mostrou-nos a pequena escola Montessori, construção pré-fabricada de madeira, que desde há 5 anos tem sido o local de trabalho de Sophie Rabhi, filha do casal. A quinta permite um contexto de apoio à formação educativa da escola. Assim, o pomar, a horta agro-ecológica, o galinheiro e as cabras constituem um complemento essencial à escolinha “Jardin d’enfants”. As crianças têm um contacto directo com o mundo rural e os produtos da quinta ajudam a complementar a alimentação das crianças.
Entretanto começamos a conversar com uma das educadoras. Ela explicou-nos: “A metodologia de ensino Montessori é amplamente articulada com inovações que surgem no contexto da quinta agro-ecológica praticada por Pierre Rabhi e também pelo olhar de novas experiências pedagógicas”.
Fomos ver a construção de uma “yurta” em lona que viera articular-se, com a sua forma redonda, à construção funcional e rectangular dos 2 pavilhões pré-fabricados em madeira.

Por outro lado, a sanita seca mostra a integração da escola no mundo rural, permitindo, no processo agrícola, a compostagem de dejectos humanos e outros nutrientes orgânicos como fertilizantes da terra. Revela-se assim o conceito de Lavoisier: na natureza nada se perde, tudo se transforma.
O “cabanon de la colère” é uma pequena cabana, um pouco isolada em que as crianças, quando estão muito excitadas, são convidadas a extravasar as suas energias e pequenas raivas. Uma espécie de catarse voluntária para acalmar os mais excitados e facilitar o ritmo da aula.

Entretanto chega o Pierre Rabhi. Recordamos a viagem a Marrocos, o estágio em agroecologia na aldeia de Kermet Ben Salem. E enquanto caminhávamos pela quinta, o Pierre relatava os programas internacionais do trabalho da Associação “Terre et Humanisme” em Marrocos, no Mali, no Senegal e Burkina Fasso.
Pode-se resumir assim a sua estratégia:
1) A mudança a partir da situação concreta em que se vive;
2) Ter consciência clara de que a felicidade terá de ser conquistada por nós mesmos;
3) Haver uma mudança essencial sobre a visão do mundo. A agro-ecologia poderá tornar-se no factor de harmonização do homem com a natureza, graças a uma ecotecnologia e a uma ecosofia.
Pierre Rabhi desenvolveu algumas ideias sobre a necessidade de se internacionalizar este conceito de criar “oásis em todos os lugares”.
Em seguida voltamos a revisitar o trabalho de Pierre Rabhi em França.
Relatou-nos a actividade desenvolvida já ao longo de anos na sede do movimento “Terre et Humanisme” em Mas de Beaulieu, onde os estágios de formação em agro-ecologia constituem a estrutura principal do trabalho.
Em 2008 irão fazer-se estágios de 6 dias:
- 14 a 19 de Abril
- 12 a 17 de Maio
- 30 a 5 de Julho
- 15 a 20 de Setembro
- 6 a 11 de Outubro
Nestes estágios dá-se uma formação abrangente de agro-ecologia:
- História da agricultura do neolítico até à actualidade;
- Noções de permacultura e biodinâmica;
E procede-se a uma prática de agro-ecologia:
- Trabalho de fertilização optimizada de solos, irrigação, compostagem, etc.
Tínhamos visitado o Mas de Beaulieu há já alguns anos. Mas, durante o ano de 2007 deu-se um salto qualitativo. Passaram pelo trabalho agro-ecológico da sede do movimento “Terre et Humanisme” mais de 200 estagiários e 160 cooperantes voluntários.
Neste período construiu-se um poço canadiano, um armazém agrícola, refizeram-se muros e plantaram-se novas árvores de fruto.
Importa referir ainda a cooperação de Pierre Rabhi no projecto intergeracional do Hameau des Buis, loteamento ecológico em torno de uma quinta agroecológica educativa. Este projecto nasceu da filha de Pierre, Sophie Rabhi e do seu marido Laurent.

A experiência de Les Amanins é uma outra iniciativa de cooperação conjunta entre Pierre Rabhi e Michel Valentin. Estes dois homens descobriram uma complementaridade que os consolidou em torno de um mesmo projecto - um centro agro-ecológico.
Num terreno de 55 hectares vai realizar-se uma experiência bio-económica onde a prática agro-ecológica se articula com uma actividade pedagógica em torno de uma escola com crianças e também à volta de ateliers de formação para adultos.
O coração do projecto é a quinta agro-ecológica . Mas também a escola do colibri, dirigida por Isabelle Peloux.

Este centro vai tornar-se uma experiência exemplar, formativa, demonstrativa e criativa para a necessária mudança de paradigma.
Será uma eco-escola em França, ao serviço de uma visão internacional do ecodesenvolvimento e da paz.
A visita que fizemos levou-nos às várias estruturas já construídas. Um centro de recepção, a futura padaria e cantina e os vários ateliers ligados à actividade agro-ecológica e à escola.
A bioconstrução integra-se num vasto plano de logística para ateliers, alojamento e protótipos de energias renováveis.
Entretanto, o Boletim de “Terre et Humanisme” tem-se expandido cada vez mais relatando além das actividades do Mas de Beaulieu os trabalhos realizados no domínio internacional.
Assim, dando provas de uma abertura intercultural e transcultural, Pierre Rabhi desenvolve a sua actividade numa perspectiva internacional e local.
São vários os países africanos onde existem, desde alguns anos, experiências exemplares orientadas segundo o trabalho de Pierre Rabhi.
A experiência no Burkina Fasso, em Goron Goron, com a implantação de um centro agroecológico, baseou-se nos recursos endógenos e na participação das populações. Tornou-se um exemplo internacional para um outro modelo de ecosustentabilidade para África.
O livro “Offrande du Crepuscule” descreve, em detalhe, esta experiência notável.
A actividade do movimento “Terre et Humanisme” alastrou-se ainda a outros países. Assim, tivemos o privilégio de vivenciar a experiência da aldeia de Karmet-Bensalem, em Marrocos onde se explicita esta prática agroecológica e de participação social criando locais demonstrativos de formação e reprodução de ecotécnicas ao nível da irrigação, compostagem e das hortas experimentais. Criam-se vários sistemas agro-ecológicos que vão desde celeiros, taludes, valados de irrigação anti-erosão, mini-crédito, etc.

No Mali, na aldeia de Tacharan, criou-se também um centro agro-ecológico, articulando várias actividades culturais como alfabetização, formação do associativismo nas mulheres e actividades de bioconstrução.
Actualmente, no Senegal, mais de 20 hortas associadas e articuladas ao Centro agro-ecológico experimental, permitiram já a formação de mais de 800 pessoas em ecodesenvolvimento. Realizaram-se 5Km de diques de irrigação anti-erosão e desenvolveram-se actividades pedagógicas com crianças e adultos.


Jacinto Rodrigues